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Cancro Resinoso do Pinheiro

Uma nova doença do Pinheiro na Europa

(Versão para impressão [PDF])

pinheiros-cancro

Com a informação abaixo disponibilizada pretende-se alertar os Fornecedores de Materiais Florestais de Reprodução (MFR) para a existência de uma nova doença, o cancro resinoso do pinheiro, a qual é provocada por um fungo, a Gibberella circinata.

Com o objectivo de controlar e erradicar a doença, evitando assim a sua dispersão, indicam-se os procedimentos a adoptar, apresentando também algumas medidas preventivas.

 

Designação

  • Nome vulgar da doença: Cancro resinoso do pinheiro
  • Nome científico: Gibberella circinata Nirenberg & O’Donnell. Anamorfo: Fusarium circinatum Nirenberg & O’Donnell. (EPPO A1 Lista no. 306.)

 

Distribuição geográfica da doença

  • Europa: Espanha (primeira ocorrência na Europa em 2005), Itália, Portugal. 
  • Resto do mundo: África do Sul, Estados Unidos (primeira ocorrência no mundo em 1946), México, Haiti, Chile, Japão, Iraque.

 

Espécies afectadas

O fungo pode infectar todas as espécies de Pinus sendo o Pinus radiata das mais sensíveis. Para além destas, a única outra espécie considerada susceptível é a Pseudotsuga menziesii.

 

Sintomas

O fungo pode afectar o hospedeiro em todos os seus estados de desenvolvimento e em qualquer altura do ano. As partes afectadas podem ser sementes, agulhas, pinhas, ramos, rebentos, troncos e raízes. É necessária confirmação da presença do fungo através de análises laboratoriais, uma vez que os sintomas se confundem com os de Sphaeropsis sapinea (dieback do pinheiro).

 

Árvores adultas:

  • Exsudações abundantes de resina no tronco e ramos, geralmente associadas à presença de cancros;
  • Amarelecimento das agulhas, seguido de avermelhamento e queda do topo para a base dos ramos;
  • As pinhas em ramos doentes podem também ser afectadas, abortando antes de atingirem o tamanho normal. 

 

Plantas de viveiro:

        pinheiro-juvenis-cancro1.jpg pinheiro-juvenis-cancro-2.JPG

  • Coloração castanha avermelhada das agulhas;
  • Encurvamento dos ápices;
  • Lesões nos caules;
  • Exsudações de resina em plantas mais velhas;
  • Presença de esporodóquios (massa de esporos) de cor salmão.

 

Sementes

As sementes não apresentam sintomas. No entanto, o fungo pode estar presente quer na superfície quer no interior da semente.

 

Infecção

  • Plantas de viveiro:
    • Nas plantas de viveiro a infecção pode ocorrer a partir de sementes infectadas, de inóculo presente no substrato ou através do contacto com plantas infectadas.
  •  Árvores adultas:
    • Em árvores adultas a infecção pode ocorrer através da penetração dos esporos em feridas (provocadas por ferramentas de poda ou por qualquer outro factor), por picadas de alguns insectos, ou através das lenticelas de rebentos e dos estomas das folhas. 

 

Disseminação

  • A dispersão dos esporos ocorre, principalmente, durante os meses de Primavera, Verão e no início do Outono, podendo o fungo sobreviver durante o Inverno fora do hospedeiro em resíduos vegetais (ramos caídos, troncos destacados, etc);
  • O inóculo pode ser disseminado no solo, pelo ar, pela água e por insectos (Ips - foto, Pityophthorus, Conophthorus e Tomicus);
  • As principais formas de disseminação da doença a grandes distâncias são a circulação de plantas ou sementes, podendo a circulação de madeira ser também um veículo de transmissão;
  • Destes factores, o que apresenta maior risco no alastramento da doença é o comércio de sementes infectadas, uma vez que nestas, o fungo não é detectado por inspecção visual;
  • O fungo pode sobreviver um ano em estilha ou ramos destacados.

 

Factores de risco

  • Monocultura de espécies muito sensíveis, como é o caso de P. radiata;
  • Plantações em locais com temperatura e humidade alta;
  • Densidades de povoamento elevadas;
  • Verões chuvosos;
  • Fertilização e stress hídrico agravam a severidade da doença;

 

Controlo (nos casos em que foi identificada e comprovada a presença da doença)

Se for confirmada a ocorrência de um foco da doença quer em plantas de viveiro quer em povoamentos, os Serviços Oficiais devem proceder a aplicação das medidas descritas na decisão 2007/433/CE, nomeadamente, estabelecer uma área demarcada que será constituída por:

  • Zona infestada – área na qual a presença do organismo foi confirmada e que incluirá todos os vegetais que manifestem sintomas suspeitos. Nesta área serão tomadas medidas com vista à erradicação da doença.
  • Zona tampão – área circundante à zona infestada com pelo menos 1 km de largura. Todas as plantas hospedeiras localizadas nesta zona tampão deverão, pelo menos nos dois anos seguintes ao estabelecimento da zona, ser submetidas a inspecção fitossanitária intensiva e mantidas sob controlo permanente, tendo em vista a detecção de eventuais sintomas da doença. Caso se observem sintomas suspeitos, dever-se-á proceder à colheita de amostras e à sua análise laboratorial, ficando a aplicação das medidas fitossanitárias apropriadas dependente dos resultados das referidas análises.

 

Povoamentos:

  • Cortar as árvores atacadas o mais cedo possível;
  • Desinfectar as ferramentas de corte com lixívia a 10% durante 2 minutos;
  • Não fazer plantações novas com qualquer espécie de pinheiro ou com Pseudotsuga menziesii, na área afectada;
  • Não recolher semente da área afectada;
  • Manter a plantação em bom estado vegetativo e eliminar plantas fracas e sobrantes de poda que possam ser atractivos para insectos vectores;
  • Minimizar o manuseamento e transporte de material infectado (troncos e árvores caídas por exemplo).

 

Viveiro:pinheiros-viveiro.JPG

  • As plantas infectadas devem ser retiradas e queimadas o mais próximo possível do local onde estão, para evitar a disseminação do fungo;
  • Nos casos em que não seja possível queimar as plantas no local e estas tenham que ser transportadas para fora das instalações, devem ser colocadas em sacos de plástico bem fechados e queimadas sempre que possível no próprio dia;
  • As sementes devem ser desinfectadas com peróxido de hidrogénio (água oxigenada) a 20% durante 5 minutos;
  • As instalações devem ser desinfectadas cada dois meses (aplicação de lixívia a 10%) até se conseguir erradicar a doença;
  • As ferramentas devem ser desinfectadas sempre que forem utilizadas;
  • Evitar ao máximo a movimentação de pessoal e maquinaria dentro do viveiro, junto dos lotes com espécies susceptíveis.

 

Medidas Preventivas

As medidas preventivas a seguir enumeradas aplicam-se às instalações, ao pessoal e ao manuseamento de materiais, equipamentos e maquinaria que estejam em contacto com plantas ou sementes das espécies susceptíveis.

  • Sementes:
    • Proceder ao tratamento de desinfecção das sementes;
    • Não reutilizar as embalagens das sementes.
  • Plantas:
    • Aplicação de insecticidas para evitar a propagação do fungo dentro do viveiro;
    • Aplicação de fungicidas para evitar o desenvolvimento do fungo.
  • Materiais e Equipamentos:
    • Desinfectar com álcool ou outros desinfectantes à base de amónio quaternário, todos os materiais e ferramentas de pequena dimensão, sempre que mude de lote de semente ou de plantas;
    • Desinfectar o material e as ferramentas com lixívia a 10% (imersão por um período mínimo de 2 minutos enxaguando de seguida com água para eliminar restos de lixívia);
    • Desinfectar as instalações e os equipamentos de sementeira após cada nova sementeira.
  • Substratos:
    • Não utilizar casca de pinheiro ou outros produtos vindos de coníferas;
    • Usar preferencialmente turfa com perlite ou vermiculite.
  • Contentores:
    • Usar contentores preferencialmente não reutilizáveis;
    • No caso de contentores reutilizáveis:
      • Antes de novas utilizações deve lavar minuciosamente para eliminar todos os restos orgânicos;
      • Mergulhar 5 minutos em lixívia a 20% ou produto a base de amónio quaternário, enxaguando de seguida com água para eliminar restos de lixívia; ou
      • Mergulhar em água  quente a 85ºC durante 30 segundos. 

 

Observar regularmente os lotes das espécies susceptíveis e no caso de surgirem plantas com sintomas suspeitos, contactar de imediato os Serviços Oficiais.

Recomendações da AFN em colaboração com a DGADR e o INRB.

  • Para mais informações contacte a Autoridade Florestal Nacional:
Sede (Lisboa) – 21 312 48 00
Direcção Regional de Florestas do Norte – 259 330 400
Direcção Regional de Florestas do Centro – 232 427 510
Direcção Regional de Florestas de Lisboa e Vale do Tejo – 243 306 530
Direcção Regional de Florestas do Alentejo – 266 737 375
Direcção Regional de Florestas do Algarve – 289 870 718

(Versão para impressão [PDF])

Última actualização: 2009-03-26

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classificado em: Pragas e doenças
  • © 2009-2012 AFN | Última atualização: 2012-05-16 | Optimizado: 1024x768 |
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